Seduzir com prazer

Ao criar este blogue, a ideia foi partilhar a minha experiência adquirida ao longo de 15 anos de frequência em sites, chats e redes sociais. Teclei, conversei, conheci muitas pessoas e vivi experiências que foram a vertente prática da minha aprendizagem. A net, com a possibilidade de nos relacionarmos anonimamente, veio trazer novas formas de interagirmos uns com os outros.

O objetivo deste blog é, através da partilha, ajudar a que todos nós compreendamos melhor esta nova realidade, e com isso estimular a reflexão de temas como o amor, o sexo e os relacionamentos em geral. Assim, publicarei algumas histórias por mim vividas, reflexões, informação que ache relevante, históricos de conversas, e algumas fotos sensuais de corpos de mulheres com quem troquei prazer e que tive o privilégio de fotografar. Todos os textos e fotos que vou publicando, não estão por ordem cronológica, e podem ter acontecido nos últimos 15 anos ou nos últimos dias. Todas as fotos e conversas publicadas, têm o consentimento dos intervenientes.

As imagens publicadas neste blogue estão protegidas pelo código do direito de autor, não podendo ser copiadas, alteradas, distribuídas ou utilizadas sem autorização expressa do autor.


12.11.14

IS028 Fantasias sexuais anormais, afinal são normais

Na sequência de uma conversa que tive com uma amiga acerca de fantasias sexuais, ela enviou-me este artigo que publico em baixo. Foi engraçado ter visto confirmado aquilo que sempre disse em relação às fantasias sexuais ou comportamentos sexuais considerados parafílicos.

Já aqui tinha escrito no blog que, para mim, a única coisa condenável no sexo, é não ser de mútuo consentimento. Tudo o que duas ou mais pessoas possam fazer em termos de sexo, desde que consensual, não deve nem pode ser condenável, porque colide com a liberdade sexual de cada um.

As pessoas têm tendência a considerar anormais ou desviantes as práticas sexuais que elas próprias não gostam, acham que não gostam ou nunca experimentaram. Fica aqui provado que muitas fantasias consideradas anormais, são muito mais normais e comuns do que muita gente pensa.

Embora possamos não gostar ou até de não entender como alguém possa gostar de determinadas práticas sexuais, o facto é que há quem goste e tenha todo o direito de as praticar.

Considerando que, o que é visto como normal ou anormal tem a ver com a percentagem de pessoas que fantasia ou realiza determinadas práticas sexuais, o que até aqui se considerava anormal, afinal é normal.

Pelo facto de já ter convivido de forma muito liberal com muitas pessoas, já tinha entendido o que este estudo revela. As pessoas, são muito mais arrojadas sexualmente do que se pensa, tanto nas suas fantasias como nas práticas. Maior parte das pessoas não assume perante as outras, as suas fantasias, e muito menos as suas práticas sexuais. Têm vergonha, e/ou têm medo de ser discriminadas.

As pessoas fantasiam, e algumas delas têm a coragem de realizar, práticas sexuais e situações bem arrojadas. Como os leitores do blog podem testemunhar, já realizei várias fantasias com mulheres e casais, que podiam ser consideradas anormais ou desviantes. Eu não as considero anormais, já que são realizadas entre adultos, desejadas por todas as partes envolvidas, e com limites estabelecidos previamente, se os houver, porque muitas das vezes não são impostos limites.

Como tenho fantasias muito diversificadas, e gosto de quase tudo no sexo, conjugo as minhas fantasias com as fantasias de pessoas que vou conhecendo através da net ou do blog, e realizamo-las em conjunto. Desde a fantasia mais soft em que me encontro com uma desconhecida, jantamos e conversamos e comemo-nos de forma “baunilha” como sobremesa, até práticas bem mais arrojadas, como encontrar-me com um casal e violar a mulher à bruta, com a agressividade e violência necessárias à recusa dela, com o marido a assistir.

Mas para não me alongar, prometo que escreverei uma reflexão, com as fantasias mais comuns, ou mais “à frente” que já realizei.

"Afinal, parece que a maioria das nossas fantasias sexuais é banal


Muitas fantasias sexuais consideradas atípicas ou invulgares são na realidade frequentes e, por isso, não devem ser logo consideradas desviantes ou patológicas, conclui estudo canadiano.


Já te sentiste incomodado(a), e até te achaste anormal, por teres prazer em imaginar-te a seres obrigado(a) ou a obrigar outra pessoa a fazer sexo? Ou talvez por imaginar o teu cônjuge a ter relações sexuais à tua frente com outra pessoa? Pois desengana-te: afinal, as tuas fantasias sexuais são, muito provavelmente, bastante banais e muito frequentes na população adulta sexualmente activa.


Mas então, o que é ao certo uma fantasia sexual atípica ou invulgar? Para tentar responder cientificamente a esta pergunta, Christian Joyal, da Universidade de Montreal (Canadá), e colegas realizaram um estudo, um dos primeiros do género a ser feitos junto da população geral (e não, por exemplo, de estudantes universitários). Os seus resultados foram publicados "online", na revista “Journal of Sexual Medicine”.


Diga-se antes de mais que, para definir as chamadas parafilias, ou desvios do desejo sexual, o "Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais" (DSM, a “bíblia” norte-americana das doenças psiquiátricas) e a Organização Mundial da Saúde falam em desejos sexuais “atípicos” e “invulgares”.


Porém, segundo os autores do estudo, nunca é dito claramente o que são ao certo esses desejos. E de facto, argumentam, a fronteira entre o “normal” e o patológico nunca foi devidamente delineada.


“As fantasias sexuais são geralmente definidas como sendo quaisquer imagens mentais que excitem sexualmente ou que sejam eróticas para a pessoa”, escrevem os cientistas.


“Do ponto de vista clínico determinar se uma fantasia sexual, invulgar ou não, constitui uma perturbação mental é bastante simples: tem de ser obrigatória, compulsiva e/ou resultar numa disfunção sexual ou numa perturbação da pessoa”, escrevem ainda. “Do ponto de vista legal, um interesse sexual de ordem criminal implica claramente o facto de o parceiro sexual não consentir ou ser menor de idade. Mas para além disso, o que é exactamente uma fantasia sexual invulgar?”


Daí que o objectivo principal do estudo tenha sido “conseguir especificar normas em termos de fantasias sexuais, uma etapa essencial na definição das patologias”, diz Christian Joyal em comunicado da sua universidade.


O estudo consistiu em pedir a 1517 adultos residentes no Quebeque — 799 homens e 718 mulheres (média de idade 30 anos) para responder a um questionário sobre as suas fantasias sexuais. Em particular, os participantes tinham de atribuir uma nota de 1 a 7 - nada interessado(a) a fortemente interessado(a) - a 55 fantasias sexuais diferentes. “Como suspeitávamos”, diz Joyal, “existem muito mais fantasias sexuais comuns do que fantasias atípicas”.


Os resultados revelaram que apenas duas fantasias sexuais eram estatisticamente raras (obtiveram menos de 2,3% de adesão dos participantes): sexo com crianças com menos de 12 anos e sexo com animais. Nove outras fantasias eram estatisticamente invulgares (menos de 16%  dos participantes interessados): para as mulheres, consistiam em urinar sobre o parceiro ou vice-versa (a chamada “chuva dourada”), vestir roupa do sexo oposto, obrigar alguém a ter sexo, abusar de uma pessoa bêbeda, adormecida ou inconsciente, fazer sexo com uma prostituta ou com mulheres com seios muito pequenos; e para os homens, em urinar sobre o parceiro ou vice-versa, ter sexo com dois, três ou mais homens.”


De uma maneira geral, os resultados mostram, lê-se no comunicado, que poucas fantasias sexuais podem ser consideradas estatisticamente raras ou invulgares.


O estudo confirma ainda que os homens têm mais fantasias do que as mulheres, mas por outro lado mostra que até dois terços das mulheres evocam temas associados com a submissão (ser amarrada, espancada ou obrigada a ter sexo).


Porém, as mulheres distinguem muito bem entre fantasia e desejo, algo que não acontece no caso dos homens. “Muitas das mulheres que exprimem fantasias extremas de submissão (dominação por um desconhecido, por exemplo) especificam que não querem de todo que elas se tornem realidade. Pelo contrário, a maioria dos homens gostaria muito de ver as suas fantasias realizarem-se”, lê-se ainda no comunicado.


Globalmente, escrevem os autores, muitas fantasias sexuais são típicas ou comuns. Diga-se já agora que as fantasias típicas (que suscitaram o interesse de mais de 84% dos participantes) tinham a ver com sentimentos amorosos durante a relação sexual, atmosferas ou locais românticos, sexo oral ou, para os homens, relações com duas mulheres ao mesmo tempo.


Por isso, concluem os autores, os médicos e os especialistas em geral não deveriam basear-se apenas no tema de uma fantasia sexual para determinar se ela é patológica ou invulgar. “É preciso ser prudente antes de classificar uma fantasia sexual como invulgar, já para não falar em desviante”, concluem no seu artigo. E sugerem que “o diagnóstico deve focar-se no efeito de uma fantasia sexual e não no seu conteúdo”."


Ana Gerschenfeld

2 comentários:

Anónimo disse...

Mas afinal o que é Normal??? O que poderá ser "Normal" para mim, poderá ser completamente desviante para o resto da população e em questões de sexo, penso que existe um tabu enorme em relação a comportamentos, gostos/preferências. A suposta "Normalidade" faria com que todos gostássemos do mesmo, que pensássemos da mesma maneira que tivéssemos a mesma sensibilidade, isso sim seria Normal, contudo somos seres individualizados e bastante distintos, levando-nos a ser hedonistas, a viver segundo as nossas regras (sem colidir com as do próximo), o que importa à sociedade se eu gosto de ver a minha companheira a ter prazer com outro parceiro(a), ou como obtenho prazer.....nada, pois são situações do meu foro privado que não interferem com mais ninguém.
Para mim no que toca ao tema sexo, vale tudo desde que seja por mutuo consentimento, excluo aqui a pedofilia, situação que me repugna, contudo sou consciente que a mesma é aceite e praticada por outras culturas, contudo faz-me querer que se déssemos liberdade às crianças dessas culturas para emitirem opinião, a maioria não compreendia o que se estaria a passar.
Não me querendo alongar mais, Sejam Felizes, Fodam como quiserem, obtenham e Proporcionem muito Prazer, Divirtam-se..........Mas nunca se esqueçam de respeitar as OPÇÕES e LIBERDADES DOS OUTROS!
Mig

xarmus disse...

É isso tudo Mig... como aquilo que é considerado normal ou anormal tem a ver com a percentagem de pessoas que fantasia ou realiza determinadas práticas sexuais, e como as pessoas hipocritamente não assumem as suas fantasias, práticas ou gostos pessoais perante os outros, aquilo que se pensava ser anormal porque se pensava que poucas pessoas fantasiavam, passa agora a ser normal, a partir do momento que se descobriu que afinal uma grande maioria das pessoas tem essas fantasias que eram consideradas anormais.