Seduzir com prazer

Ao criar este blogue, a ideia foi partilhar a minha experiência adquirida ao longo de 15 anos de frequência em sites, chats e redes sociais. Teclei, conversei, conheci muitas pessoas e vivi experiências que foram a vertente prática da minha aprendizagem. A net, com a possibilidade de nos relacionarmos anonimamente, veio trazer novas formas de interagirmos uns com os outros.

O objetivo deste blog é, através da partilha, ajudar a que todos nós compreendamos melhor esta nova realidade, e com isso estimular a reflexão de temas como o amor, o sexo e os relacionamentos em geral. Assim, publicarei algumas histórias por mim vividas, reflexões, informação que ache relevante, históricos de conversas, e algumas fotos sensuais de corpos de mulheres com quem troquei prazer e que tive o privilégio de fotografar. Todos os textos e fotos que vou publicando, não estão por ordem cronológica, e podem ter acontecido nos últimos 15 anos ou nos últimos dias. Todas as fotos e conversas publicadas, têm o consentimento dos intervenientes.

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1.6.13

R019 Da monogamia ao poliamor

Tenho verificado que uma das coisas que mais atormenta as pessoas que têm relacionamentos de monogamia em série, é o ciúme e a traição. Entendo que não seja caso para menos, porque se a traição dita o fim da relação, deve ser difícil viver com alguém sem saber se o relacionamento acaba amanhã.

Na tentativa de evitarem situações em que sintam ciúmes ou sejam traídos, os monogâmicos em série, adotam um comportamento possessivo e controlador, pensando que assim não deixam espaço aos seus parceiros para que estes os possam trair.

Pensando que esta é a forma mais correta de qualquer relacionamento funcionar, fazem afirmações completamente ridículas e utópicas tais como… “quem ama não sente necessidade de ter sexo com outra pessoa”; “quem ama não trai”; “quem trai não ama”; “só se pode amar uma pessoa de cada vez”, e outras afirmações falsas derivadas destes paradigmas impostos por uma sociedade hipócrita e retrograda. Até pode haver pessoas que amando não queiram ou não consigam trair, apesar de poderem ter esse desejo, mas a realidade é que existe quem amando o consiga fazer.

Embora entenda que paixões ou relacionamentos recentes não consigam entender nem sintam necessidade de se relacionarem com outras pessoas, o facto é que com a maturidade e a monotonia da relação ao longo dos anos, os elementos do casal começam a sentir necessidade de variar, de se sentirem desejados por outras pessoas, de ter sexo com outros parceiros, de viver aventuras gratificantes, e até às vezes de viverem paixões fora do casamento, querendo no entanto manter o casamento e amando o seu cônjuge.

Quando esta necessidade surge, várias opções se colocam aos elementos do casal. Ou traem, ou toleram infidelidades, ou iniciam-se na prática do swing, ou decidem passar a um relacionamento tolerante ou aberto que permita sexo com outros parceiros, ou ainda um relacionamento poliamoroso. Independentemente da opção seguida, os elementos do casal continuam a amar-se, porque se não se amarem mais, simplesmente separam-se, senão fisicamente pelo menos emocionalmente.

Este facto prova que se pode amar uma pessoa e desejar sexualmente outras, que se pode amar e trair, que se pode amar uma pessoa e apaixonarmo-nos por outra, ou até é possível amar uma pessoa e acabar por amar uma segunda, sem que se deixe de amar a primeira. O relacionamento só acaba se os elementos deixarem de se amar, independentemente do tipo de relacionamentos que possam ter com terceiros.

Mas voltemos à análise das opções que se deparam aos casais quando surge a vontade de saltar a cerca. Vou falar apenas dos casos em que os casais se amam, porque quando não se amam, apesar de poderem estar juntos por causa dos filhos ou de outro tipo de interesses, é natural que procurem fora de casa o sexo e o amor que não têm em casa.

A opção mais usada é a traição. É a mais fácil, mas também a mais perigosa e a mais desonesta porque envolve a mentira e quando corre mal, pode determinar o fim da relação de forma conflituosa ou mesmo violenta. Apesar do risco, é a mais praticada porque como os elementos do casal não querem que o outro lhes seja infiel, preferem manter um falso relacionamento de fidelidade, podendo os próprios ser infiéis às escondidas. Apesar de nesta situação haver amor entre o casal, esta opção será a pior por ser uma opção egoísta, em que cada um tenta ter as suas aventuras, mas não quer permitir que o outro as tenha. Muita gente opta por esta solução por não querer que o parceiro saiba e sofra com as suas traições. Outro perigo que existe nesta prática, é que os elementos do casal podem apaixonar-se involuntariamente pelos terceiros.

A opção de tolerar infidelidades, é a segunda mais usada, ou a fase seguinte dos casais que começam por trair e acabam por ser apanhados, mas que não se separam apesar disso. É parecida com a primeira porque envolve traição, e porque algumas das infidelidades nem chegam a ser conhecidas, mas como os elementos do casal se amam, toleram as infidelidades de que têm conhecimento. O que trai, apesar de trair ama o parceiro, e como sente que as traições não prejudicam o relacionamento, vai continuando a trair. O traído, embora não goste das traições, como ama o outro e como também sente que as traições não prejudicam a relação, vai tolerando a situação, mas não assume que as permite, para não saber delas, para o outro não exagerar na quantidade de cambalhotas por fora, e para que seja discreto em relação à sociedade que os rodeia. Tal como na primeira opção, nesta prática também existe o perigo dos elementos do casal se apaixonarem involuntariamente por terceiros. Esta possibilidade é mais frequente nas mulheres que têm mais facilidade de se envolverem emocionalmente com os seus parceiros.

A opção do swing é a adotada pelos casais que tendo uma excelente relação de cumplicidade e abertura para falarem destes desejos e sentindo o seu relacionamento suficientemente seguro, decidem fazer a coisa em conjunto, até por uma questão de igualdade. Como sabem que tal como eles, existem outros casais com o mesmo problema, se conseguirem encontrar um casal com quem sintam que existe empatia entre os quatro, podem viver essa aventura em conjunto. Há várias formas de praticar swing, e cada casal decide entre si as regras pelas quais se vai reger, e tentam encontrar outro casal compatível com essas regras. “Ver e ser vistos” com ou sem caricias sem troca, “troca em quartos separados”, “troca no mesmo espaço”, ou todos ao molho e fé em deus, são algumas formas de praticar swing. Nesta opção, os casais procuram apenas sexo com outros parceiros, e como estão juntos durante estas práticas impossibilitam o envolvimento emocional nas trocas. É também por esta razão que os casais swingers gostam de ir conhecendo novos parceiros sexuais, evitando assim criar laços emocionais. Esta prática pode ser a forma escolhida pelo casal para resolver o problema logo numa fase inicial, ou pode ser uma nova fase para os casais que já experienciaram as duas anteriores e não se deram bem.

A opção menos usada, mas que parece ser a mais natural, é a relação aberta, em que cada elemento do casal é livre de viver a sua sexualidade como bem entender. Esta opção só resulta em casais onde existe um amor forte, maduro e consolidado, onde a cumplicidade e a confiança são extremas, já que não estão juntos durante as práticas. Apesar de nesta opção também existir o risco de envolvimento emocional com terceiros, esta hipótese é pouco provável, já que nesta modalidade o que se procura são apenas aventuras sexuais, e o amor entre o casal e a partilha das experiencias, reforça a cumplicidade e minimiza os riscos. Contrariamente ao swing em que os elementos do casal têm a mesma quantidade de experiencias, nas relações abertas a quantidade de experiencias de cada elemento do casal é diferente. Isto possibilita que cada um dos elementos do casal adapte a frequência das aventuras aos seus desejos e necessidades, aproveitando melhor as possibilidades que se deparam a cada um em separado.

A prática do poliamor ainda é mais rara. É parecida com a anterior, mas com uma liberdade ainda maior na medida em que pode haver envolvimento emocional. Apesar de amarem alguém, os poliamorosos estão abertos a novas paixões e novos amores, porque umas relações não dependem das outras. Cada relação só depende de si, e só acaba quando acaba o amor. Há relações múltiplas de poliamor onde os intervenientes vivem juntos na mesma casa.

Embora haja casais que possam relacionar-se durante uma vida inteira optando por uma destas formas de resolver o problema das aventuras fora do casamento, há casais que passam por algumas, ou todas estas fases ao longo de 20 ou 30 anos de relacionamento.

O casal começa por ter um relacionamento monogâmico e durante uns tempos são fieis um ao outro. Passados uns anos, um deles começa a trair. Um dia é apanhado e se a coisa não acabar logo ali, o que traiu continua a trair e o outro começa a trair também ou não. Passa-se para a fase em que se tolera a infidelidade. Com a continuidade do relacionamento, e o consequente aumento da cumplicidade, acabam por experimentar o swing ou optar por uma relação aberta, preferindo ter as aventuras numa base de sinceridade e partilha em vez de continuar a tê-las às escondidas, e continuar com as mentiras que tanto minam o relacionamento.

As pessoas que optam pela monogamia em série, acham que quem não é monogâmico em série não ama, e eu tenho a certeza que isso não é verdade. Seja com traição ou com permissão, a verdade é que com a monotonia do relacionamento estas vontades existem e não significa que os elementos do casal não se amem. Antes pelo contrário, é preciso um amor muito forte e maduro para que o casal consiga ir encontrando o seu equilíbrio e superar as contrariedades que a vida lhes apresenta. Um relacionamento de dois anos tem características e necessidades completamente diferentes de um relacionamento de 20 anos. Acabar um relacionamento por causa de uma aventura é a prova de que não existe, e provavelmente nunca existiu amor naquela relação.

Muitas pessoas confundem posse com amor. Controlar, perseguir e limitar os movimentos de alguém não tem nada a ver com amor. Amor é liberdade, sinceridade, cumplicidade, compreensão e tolerância. Amor é, amar uma pessoa como ela é, sem tentar modificá-la nem restringir-lhe a liberdade, e fazendo tudo o que está ao nosso alcance para a fazer feliz.

Em jeito de conclusão, penso que cada casal deve viver a sua sexualidade como muito bem entender, e se se amarem, é desejável que consigam superar as adversidades que vão surgindo na relação, da forma mais justa para os dois. Se existir verdadeiro amor, o casal vai fazer tudo para que a relação se mantenha. Uma coisa é certa, os relacionamentos abertos duram mais que todos os outros.

Esta reflexão serve para que cada pessoa medite sobre estes problemas, e para que, independentemente do tipo de relação que cada casal tenha escolhido viver, ou da fase em que se encontre a relação presentemente, sejamos todos mais tolerantes em relação à forma como os outros vivem a sua sexualidade.

xarmus

6 comentários:

Patrícia disse...

Querido Xarmus,
Sempre que reflectes nas variações deste tema, vejo-me a rever todos os preconceitos que me foram incutidos. Os casais aparentemente felizes e as famílias aparentemente perfeitas que não resistiriam a um olhar mais atento. Chego sempre à conclusão de que, por razões que nem elas próprios conhecem, mas imitam, as pessoas escolhem ser infelizes. Limitam-se e limitam os outros. No fundo resume-se tudo a quem atingiu a idade adulta e quem não atingiu. Quem olhou, analisou e seguiu a sua vida e quem se limitou a repetir o que lhe foi ensinado sem reflectir, sem sequer questionar se o que fazia estava correcto. Comparo isto a fanatismo religioso, racismo e outros. Um "Quem não é igual a nós é louco ou perigoso...ou louco perigoso" que não faz a humanidade avançar.

xarmus disse...

Olá Patrícia

É verdade... as pessoas deixam-se formatar, aceitam paradigmas sem questionarem se haverá outra forma de fazer as coisas, e se o que lhes é apresentado como certo, se adapta às suas necessidades e expectativas.

e como tu dizes... pior ainda, tentam condicionar os outros que não se limitam a aceitar como certo o que lhes é imposto.

Beijocas para ti e obrigado pelo comentário

Sílvia Vasconcelos disse...

Cada vez gosto mais de vir aqui ver e ler o teu Blog.

xarmus disse...

Obrigado Silvia.

É também para ti que o escrevo. Tenho prazer em escrever para quem gosta de me ler, e tenho prazer em partilhar com todos, as minhas opiniões.

Obrigado... beijoca

Anónimo disse...

Excelente reflexão.

E a monogamia de ambos, não é uma opção?
ou todos os casais acabam por trair?

Parabéns pelo blog, estou a adorar.

xarmus disse...

Olá Anónima/o

claro que é uma opção, e cada casal é que tem que decidir com que regras se quer reger. Há muitos casais monogâmicos em série que são felizes assim.

O problema é que quase todos os casais começam por pensar assim, mas depois com o passar dos anos, as pessoas mudam e a rotina instala-se no relacionamento, e surgem outras necessidades que muitos casais teimam em não discutir e resolver. E depois acabam por traír, até porque não querem dar a mesma possibilidade ao outro.

De qualquer modo, há uma situação que maior parte das pessoas desconhecem, que é o efeito nocivo que a repressão dos desejos traz para o seio de uma relação. Muitas pessoas reprimem o desejo sexual que possam sentir por outras pessoas, pensando que estão a salvar o seu relacionamento, mas na verdade podem estar a destruí-lo.

Aconselho a leitura da reflexão R022 Os benefícios das relações extraconjugais. Lá explica tudinho.

Obrigado pelo teu comentário.