Seduzir com prazer

Ao criar este blogue, a ideia foi partilhar a minha experiência adquirida ao longo de 15 anos de frequência em sites, chats e redes sociais. Teclei, conversei, conheci muitas pessoas e vivi experiências que foram a vertente prática da minha aprendizagem. A net, com a possibilidade de nos relacionarmos anonimamente, veio trazer novas formas de interagirmos uns com os outros.

O objetivo deste blog é, através da partilha, ajudar a que todos nós compreendamos melhor esta nova realidade, e com isso estimular a reflexão de temas como o amor, o sexo e os relacionamentos em geral. Assim, publicarei algumas histórias por mim vividas, reflexões, informação que ache relevante, históricos de conversas, e algumas fotos sensuais de corpos de mulheres com quem troquei prazer e que tive o privilégio de fotografar. Todos os textos e fotos que vou publicando, não estão por ordem cronológica, e podem ter acontecido nos últimos 15 anos ou nos últimos dias. Todas as fotos e conversas publicadas, têm o consentimento dos intervenientes.

As imagens publicadas neste blogue estão protegidas pelo código do direito de autor, não podendo ser copiadas, alteradas, distribuídas ou utilizadas sem autorização expressa do autor.


26.6.12

IS012 Poliamor

Queria partilhar convosco um conceito desconhecido para muitos de nós, com o qual me identifico muito, e que quer o consigamos praticar ou não, serve para nos abrir as mentes, fazer-nos pensar, e entendermos melhor atitudes que muitos criticam veementemente, sem nunca ter reflectido honesta e seriamente sobre o assunto. 

Embora tenha vivido nos últimos 10 anos relacionando-me com varias parceiras e sentindo variados tipos de sentimentos (amor, paixão, amizade sexual e muita tesão) por várias pessoas ao mesmo tempo, só há pouco descobri que havia um nome para esse tipo de relacionamento e um conceito associado. O Poliamor. Como todas as pessoas envolvidas comigo, sempre tiverem conhecimento das outras e nunca enganei ninguém, posso afirmar que o que tenho vivido é algo parecido com o Poliamor. Pela quantidade de parceiras que já tive, e pelo tipo de relação desenvolvido com cada uma, acho que tenho sido poliamoroso e poligâmico ao mesmo tempo.

Tal como os poliamorosos, também não quero convencer ninguém de nada, mas apenas ajudar a divulgar uma forma diferente de nos relacionarmos. Se pensarmos bem, nem é muito diferente do que quase todos nós desejamos ou praticamos, apenas com uma pequena diferença que faz toda a diferença… com sinceridade e transparência. Como diz Daniel Cardoso, de forma responsável.

Muitas pessoas com relacionamentos mais ou menos duradoiros, dão as suas escapadelas, e até vivem paixões intensas fora dos seus relacionamentos assumidos e estáveis, fazem-no de forma irresponsável. Ora o que se prepõe com o Poliamor, é que seja tudo seja transparente, livre e assumido de forma responsável.

Gostaria de lembrar aos que se consideram com orgulho monogâmicos, que monogamia é ter um único parceiro toda a vida. Assim, muito poucas pessoas hoje em dia conseguem ser monogâmicas, e como dizem os poliamorosos, quem tem mais que um parceiro sexual na sua vida, será monogâmico em série, e eu chamar-lhe-ia monogâmico compulsivo, já que deitam fora uma pessoa quando querem outra. Eu dou um exemplo prático… Se a Maria, que foi educada segundo a moral e os bons costumes, namora com o João e quer dar uma queca com o Miguel no dia 7, tem que dar um pontapé no João até dia 6. É assim que deve agir corretamente um monogâmico compulsivo. Mas vamos aprofundar melhor esta questão. Há várias definições de Poliamor, deixo-vos aqui uma que me parece completa e de fácil compreensão.

“Poliamor é um tipo de relação em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogamia como modelo de felicidade, o que não implica, porém, a promiscuidade. Não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo facto de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente.

O Poliamor pressupõe uma total honestidade no seio da relação. Não se trata de enganar nem magoar ninguém. Tem como princípio que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com ela.
Difere de outras formas de não-monogamia pelo facto de aceitar a afectividade em relação a mais do que uma pessoa. Tal como o próprio nome indica, poliamor significa muitos amores, ou seja, a possibilidade de amar mais do que uma pessoa ao mesmo tempo. Chamar-lhe amor, paixão, desejo, atracção, ou carinho, é apenas uma questão de terminologia. A ideia principal é admitir essa variedade de sentimentos que se desenvolvem em relação a várias pessoas, e que vão para além da mera relação sexual. 

O Poliamor aceita como facto evidente que todas as pessoas têm sentimentos em relação a outras que as rodeiam. E que isto não põe necessariamente em causa sentimentos ou relações anteriores. Aliás, o ciúme não tem lugar neste tipo de relação. Primeiro porque nenhuma relação está posta em causa pela mera existência de outra, mas sim pela sua própria capacidade de se manter ou não. Segundo, porque a principal causa do ciúme, a insegurança, é praticamente eliminada, já que a abertura é total. Não havendo consequências restritivas para um comportamento, deixa de haver razão para esconder seja o que for. Cada pessoa tem o domínio total da situação, e a liberdade para fazer escolhas a qualquer momento.”

http://poliamorpt.com.sapo.pt

Deixo-vos também o vídeo de uma palestra elucidativa acerca do conceito Poliamor dinamizada por Daniel Cardoso e Carla Sofia Correia na Faculdade de psicologia da Universidade de Évora.

Vale mesmo a pena ver e ouvir ... e claro... reflectir.

17 comentários:

Anónimo disse...

Excelente publicação. Está aí uma definição daquilo que várias pessoas já praticam, mas nunca souberam defini-lo.

Outras formas de relacionamento são possíveis!

Abraços e beijos saudosos, querido!

Anónimo disse...

Tive oportunidade de ver isto ao vivo muito bom...

Mamã de Salto Alto disse...

Gostei.Acho que de facto,para quem gosta de viver dessa forma,é o mais honesto.Mas já amaste à séria?Não houve ninguém que te fizesse pensar:"é só esta e não quero mais nenhuma"...e sim,sou eu,a que não gosta de pêlos;)

Anónimo disse...

Muito bom... aprendi muito... uma forma de assumir e viver os afectos que eu desconhecia embora suspeitasse que fosse possível... já desformatei no que respeita a sexo... mas ainda estou formatada no que toca aos afectos... 'ama-se um homem/mulher de cada vez', diz o manual de instruções de funcionamento da carneirada... e nós, carneiros, ‘amamos’ uma pessoa de cada vez... ‘amamos’ em sequência... é monogamia em série e 'amor' em série... e achamos que avançámos imenso porque em tempos que já lá vão (ou nem tanto...) era uma só pessoa que se fodia e 'amava' a vida inteira... (bom... isto para os homens nunca foi bem assim... era mais para elas, claro!).

Acho tão positivo que se ouse questionar normas que, mais do que regularem os nossos comportamentos, pretendem regular os nossos afectos (que pavor!!)

Tenho escrito ‘amor’ com aspas, porque associei este assunto a um texto do Miguel Esteves Cardoso acerca do ‘amor’ chamemos-lhe moderno, que de amor… não tem nada. Não só a carneirada (eu incluída, que horror! incluída até agora…) acha que a monogamia e o monoamor (em série, concede-se…) é ‘que está bem’, como chama amor a relações tipo pudim instantâneo, que antes de o ser já o era… e que precisamente por esse motivo não o é de verdade, e não pode nunca chegar a sê-lo…

Uma passagem:
"O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas."

Maravilhoso! E depois diz isto… atreve-se (!) a dizer isto:

"Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?"

Sem palavras… Ele disse tudo...

PS: Parabéns pelo atrevimento de passares do tema do sexo para o dos afectos… e pela ousadia de os misturares…

Beijos
Maria42

xarmus disse...

Tenho andado um pouco ocupado. Adorava responder a estes comentários, mas são 5:16h da madrugada e tenho mesmo que ir dormir... mas prometo que responderei breve. Obrigado por comentarem.

Anónimo disse...

Ainda sobre este post… segui os links sugeridos e fiquei a pensar num assunto relacionado com o poliamor… a questão dos ciúmes…

É ou não positivo (à falta de palavra melhor…) sentir e exteriorizar ciúmes?

Se ninguém quer enganar ninguém, e certamente também não se quer enganar a si próprio, se sente… acho que deve exteriorizar… mas de forma ‘controlada’… inofensiva digamos assim… porque afinal o ciúme é uma forma de mostrar que o outro não nos é indiferente…

Nada disso, dirão alguns. O ciúme é uma mera manifestação de egoísmo. De mania de posse do outro. De insegurança em relação a si, ao outro, à relação.

Será mesmo? Será só? Não poderá ser também… ou sobretudo… ou mesmo apenas… uma manifestação de afecto? Se um pessoa ciumenta em vez de desatar aos berros a fazer uma cena, ou amuar e fazer blackout ao outro durante uma semana… se aninhar nos braços dele e confessar, com um choradinho, que está roidinha porque o outro tal e tal… que maravilha! Só podem acabar os dois enrolados… :)

Se os ciúmes forem vividos assim… ‘até’ são bem-vindos, acho eu… (sem muitas certezas…)

Beijos
Maria42

xarmus disse...

Anónimo das 04:05

É verdade... e é bom reflectirmos sobre estes temas.

Beijocas minha querida

(não tenho bem a certeza de quem serás... mas desconfio)

xarmus disse...

Anónimo das 07:36

Não me digas que eras aquela gaja que não parava de tossir? Hehehehehe

xarmus disse...

Olá Mamã de Salto Alto

Claro que já amei... e continuo a amar... e muito.... cada vez mais.

É esta que eu quero, sim... não quero mais nenhuma, não.

Para além de ser um predador encartado, sou um homem de afectos, e pratico o Poliamor há muitos anos.
Sempre tive relações abertas e com muita cumplicidade.

Eu não entendo nem acho natural que só se queira uma. Acho que as pessoas que fazem isso, controlam-se porque acham que é assim que deve ser, e é assim que é "normal", mas isso não é mesmo natural. E não tem nada a haver com o amor. É um contrato egoísta que as pessoas fazem.

Maior parte das pessoas são fieis, não por não terem vontade de ter sexo com outras pessoas, mas para poder exigir do seu parceiro que não tenha sexo com outros. Por isso acontecem as traições... uma pessoa diz-se fiel ao seu parceiro, para poder exigir o mesmo do parceiro, mas depois faz às escondidas. Assim ele/a dá umas quecas, e assegura que o parceio/a não faça o mesmo.

Beijocas boas.... ó rapadinha
e vai aparecendo.

Mamã de Salto Alto disse...

Percebi e em alguns casos talvez tenhas razão.Eu não me imagino com outro homem.Foi o primeiro e único até hoje e não me arrependo,até porque há muita sintonia entre nós.Ele ensinou-me muita coisa.Parece sempre a 1ª vez,e já lá vão uns anos...mas entendo quem não se consiga ver numa relação assim...

xarmus disse...

Olá Maria 42

Excelente comentário.
Obrigado por esta participação de qualidade.

Beijocas boas minha querida

xarmus disse...

Olá Maria 42

Há vários tipos de ciumes, com intensidades diferentes, e cada um de nós sente de forma diferente.

Penso que pode ser natural sentirmos ciumes quando gostamos verdadeiramente de uma pessoa, mas acho que os ciumes não têm nada de positivo.

Penso também que os joguinhos que se fazem com o ciume são uma parvoíce. "meter" ciumes ao outro propositadamente, ou fingir ciumes para mostrar que gosta são atitudes imaturas.

Se o ciume existir, deve-se conversar de forma madura e responsável acerca disso e tentar arranjar formas de controlar o problema.

Haveria muito a dizer em relação ao ciume... pode ser que um dia destes escreva uma reflexão acerca disso.

Beijos

xarmus disse...

Olá Mamã de Salto Alto

Então tu é que és a berdadeira monogâmica... acho isso uma ternura se for sentido e vivido de forma livre.

Eu não sou contra a monogamia, nem ataco quem pensa de forma diferente da minha, eu sou é contra quem é contra e ataca quem pensa de forma diferente de si próprio. Não gosto da hipocrisia de se dizer mal de tudo o que é forma de pensar ou viver que saia fora do que é considerado pelos carneiros de "normal".

Acho que cada um de nós tem o direito de pensar e viver a sua sexualidade e os seus relacionamentos de forma livre e desculpabilizada. Isso é que é devia ser considerado "normal" por todos nós. Como costumo dizer... cada um leva onde gosta. O que ninguém tem o direito é de atacar denegrir ou humilhar quem pensa de forma diferente de si próprio.

Quem devemos atacar, e isso é um dever de todos os que pensam de forma livre, são os carneiros que acham que devemos viver segundo regras impostas nem sei bem por quem.
Pessoas que dizem... isto é "normal" e aquilo é "anormal". Pessoas que perpetuam os paradigmas, e sabe-se lá porquê, dizem mal de tudo o que é forma de pensar diferente da deles.

Os radicalismos são sempre perigosos.

Os ignorantes que não têm argumentos para defender as suas ideias, usam as normatividades, para não se sentirem excluídos, esquecendo-se que para um liberal todas as formas de pensar ou viver são legitimas desde que desejadas e assumidas de forma livre.

Os sábios são tolerantes, e os ignorantes julgam.

Anónimo disse...

:) Gostei muito de saber que há definição para esta forma de viver. Digo forma de viver porque implica uma escolha pessoal para uma plenitude interior capaz de nos deixar satisfeitos com o que objectivamos.
Por outro lado, é sempre muito fácil, as pessoas criticarem ao que foge ao que é normal. O ser “normal”=”comum”, não é sinónimo que esteja certo, right?
Já agora, porque acho que para a idade que tenho até sou muito "open mind", tal se justifica por simplesmente pensar: "Se te faz feliz não pode ser assim tão mau"..(como a música mesmo eheheh)..
Beijinhos meu querido*saudadezinhass..:P
Rakel*

Anónimo disse...

Somos educados a pensar que existe uma “grande amor”, uma “cara-metade”, um “testo para cada panela”. Somos educados a pensar que somos metades incompletas e quando encontrarmos a nossa outra metade não quereremos mais ninguém e seremos felizes para sempre. Sempre me interroguei, se era para ser assim, porque havia então traições, adultério, divórcios e porque é que as pessoas saltavam de relacionamento em relacionamento. Cheguei a pensar que seria um azar. Algumas pessoas simplesmente não conseguiam encontrar o seu testo. Um escritor, Paulo Coelho, de quem não gosto especialmente, deu uma explicação sobre relacionamentos no seu livro “Brida” que me pareceu encantadora. Ele diz, resumidamente, que as almas são eternas e se vão dividindo sempre em parte masculina e parte feminina. Essas almas têm como “missão” reencontrar-se noutras reencarnações. Assim, há várias partes de nós por aí e essas várias partes procuram-se umas às outras e por vezes encontram-se e reconhecem-se. Se tenho de acreditar em alguma coisa, então, quero antes acreditar que há pessoas que aparecem de repente nas nossas vidas e em pouco tempo amamos, como interesse amoroso ou como amigos, por serem outras partes nossas que em tempos faziam parte de um todo. Talvez seja isto o poliamor.

xarmus disse...

Olá Rakel*

O que as pessoas acham que é "normal" nunca é o que está certo. Até porque o que se considera normal hoje, amanhã deixa de ser, e no passado também não era.

As pessoas usam o conceito "normal" para que exista um outro que é o "anormal" para caracterizar as atitudes que a carneirada condena.

beijoca

xarmus disse...

Olá Anónimo/a das 18:00

Embora não acredite em reencarnações, nem em missões na terra, o facto é que somos todos partes de um todo que é a humanidade, e faz parte da nossa natureza, gostar, apaixonarmo-nos e amarmos.

Este conceito do Poliamor apareceu agora, porque com a facilidade de nos relacionarmos (sexualmente ou não)uns com os outros e conhecermos quase diariamente pessoas novas, faz com que se criem muitas oportunidades de gostarmos de outras pessoas.

Eu sou um homem de afectos, gosto muito de pessoas, faço amigos com muita facilidade, e tenho capacidade de amar, estar apaixonado ou simplesmente gostar de determinadas pessoas. Não vejo porque é que tenho que reprimir estes sentimentos, apenas porque a sociedade acha que o normal é amar e ter sexo apenas com uma pessoa.

Abreijo