Seduzir com prazer

Ao criar este blogue, a ideia foi partilhar a minha experiência adquirida ao longo de 15 anos de frequência em sites, chats e redes sociais. Teclei, conversei, conheci muitas pessoas e vivi experiências que foram a vertente prática da minha aprendizagem. A net, com a possibilidade de nos relacionarmos anonimamente, veio trazer novas formas de interagirmos uns com os outros.

O objetivo deste blog é, através da partilha, ajudar a que todos nós compreendamos melhor esta nova realidade, e com isso estimular a reflexão de temas como o amor, o sexo e os relacionamentos em geral. Assim, publicarei algumas histórias por mim vividas, reflexões, informação que ache relevante, históricos de conversas, e algumas fotos sensuais de corpos de mulheres com quem troquei prazer e que tive o privilégio de fotografar. Todos os textos e fotos que vou publicando, não estão por ordem cronológica, e podem ter acontecido nos últimos 15 anos ou nos últimos dias. Todas as fotos e conversas publicadas, têm o consentimento dos intervenientes.

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4.6.13

R020 Uma História de amor

Um dia destes, de visita a um blog que publica segredos de anónimos, vi um segredo de um homem que dizia que gostava de ver a mulher dele ter sexo com outros homens. O post teve muitos comentários, e em alguns deles os comentadores diziam que o homem não amava a mulher porque se amasse não gostaria de vê-la ter sexo com outros, porque quando duas pessoas se amam, não precisam de ter sexo com terceiros.

Eu deixei um comentário dizendo que isso não é verdade, que se pode amar e trair, que se pode amar e ter um relacionamento aberto onde seja permitido viver aventuras fora do casamento. Mais, penso que o amor entre duas pessoas que se permitem essa liberdade é um amor mais consolidado, cúmplice e inabalável, do que um amor possessivo que restrinja a liberdade e que acabe à primeira contrariedade. Não acredito que haja amor num relacionamento que não resista a uma aventura sexual. Um casamento só acaba de um dia para o outro se for apenas um contrato. Quando há amor de verdade, há tolerância e vontade de ficar juntos.

Entre os muitos comentários ao post, apareceu um comentário de um homem que contava como a sua relação evoluiu de um casamento monogâmico para um casamento aberto, e como o amor que sentiam um pelo outro foi suficientemente forte para superar esses acontecimentos.

Quando li a história deixei um comentário, e o anónimo que tinha comentado, clicou no meu perfil e veio ter ao meu blog. Depois de ler parte do blog, enviou-me um mail onde expressava o seu agrado pelo mesmo. Na altura em que recebi o mail dele, andava a escrever a reflexão do post anterior “R019 Da monogamia ao poliamor”, e como achei que a história dele era um excelente contributo à reflexão que estava a escrever, pedi-lhe autorização para publicar a história do comentário dele no meu blog.

Ele disse-me que teria todo o prazer em contribuir com a história dele para o meu blog, e enviou-me o texto.

“Sou casado há 25 anos e sempre amei a minha mulher. No inverno dormimos agarradinhos e no verão ainda adormecemos de mão dada. Ao longo dos primeiros 20 anos de casamento sempre fomos fieis um ao outro. Apesar de ser difícil manter a chama acesa do ponto de vista sexual, já que em relação ao amor o tempo só nos tem beneficiado, sempre tivemos desejo um pelo outro.

Há cerca de 5 anos atrás, eu que sempre viajei muito em trabalho, comecei a ter encontros sexuais com mulheres que ia conhecendo num site onde as pessoas se predispõem a conhecer outras pessoas, com o objetivo de marcar encontros sexuais. Estes encontros só aconteciam quando dormia fora de casa.

No início fi-lo sem a minha mulher saber, mas um dia, já com muito peso na consciência, decidi contar-lhe o que se passava. Ela ficou chocada com o que lhe contei, e pediu-me uma semana para pensar o que fazer. Embora estivéssemos em período de reflexão, o sexo durante essa semana foi fantástico, muito mais intenso do que tinha sido nos últimos anos.

Como o sexo melhorou, a nossa relação e a nossa cumplicidade melhoraram, e como o que sentíamos um pelo outro não ficou afetado com a nova realidade, a minha mulher decidiu que queria continuar casada comigo. Disse-me que me amava e não queria viver sem mim, e como nunca tinha sentido que as minhas aventuras tivessem posto o nosso relacionamento em risco, não fazia sentido acabar com ele.

Durante mais cerca de 4 anos, tive a liberdade de estar com quem quisesse, sempre que dormia fora de casa, e embora a liberdade fosse para os dois, a minha mulher continuava a só conhecer um homem na vida dela.

Aqui há um ano atrás, a minha mulher disse-me que havia um colega de 32 anos que tinha sido colocado provisoriamente na escola dela, que se andava a fazer a ela. O rapaz ia enviando umas mensagens de vez em quando e a minha mulher respondia-lhe e ia-me mostrando as mensagens trocadas. Embora ela não tivesse grande interesse nele, e nunca tivesse correspondido às investidas dele, sabia-lhe bem “flirtar” através de sms e saber que despertava o interesse e que era assediada por um homem mais novo 16 anos.

Apesar de ter namorada na cidade onde vivia, o rapaz continuava a insinuar-se à minha mulher, que com 48 anos é uma mulher muito charmosa e com um corpo fantástico. Sempre que eu lhe perguntava se ela gostaria de ter alguma coisa com ele, ela dizia-me que lhe achava graça mas que não era capaz de se envolver com ele, até porque não queria magoar-me ou estragar a nossa relação com isso.

A troca de mensagens durou uns meses, e um dia em que eu ia dormir fora dois dias, deixei-lhe uma caixa de preservativos e disse-lhe que se ela quisesse estar com ele, devia aproveitar agora já que se aproximava o fim do ano e o colega já não estaria na nossa cidade no ano seguinte. Eu queria que ela vivesse uma experiencia diferente, e que sentisse a liberdade de quem apesar de casada, pudesse viver uma aventura com alguém que a desejava. Ela também me proporciona essa liberdade, e eu queria retribuir-lhe o miminho. Sei que ela era incapaz de me trair, e a única forma de ela poder viver esta experiencia seria com o meu consentimento e incentivo.

Disse-lhe que apesar de não ter prazer nisso, e até de sentir algum ciúme, queria que ela sentisse a liberdade de poder viver uma experiencia diferente, e de sentir que um encontro sexual não interfere na nossa relação e no nosso amor. Sabia também por experiencia própria que aquela aventura só iria aumentar a nossa cumplicidade e fortificar o amor que ela sente por mim, tal como as minhas aventuras intensificaram a cumplicidade e o amor que eu sinto por ela.

Eu não tenho prazer nem gostaria de ver a minha mulher com outro homem, mas não só acho que temos os dois o mesmo direito, como sinto prazer em fazê-la feliz, da mesma forma que ela sente prazer em fazer-me feliz. Viver uma aventura com outro homem, é coisa que ela não pode viver comigo, tem mesmo que ser com outro. A novidade, a descoberta, um outro corpo, são sensações que ela nunca poderá sentir comigo.

Se eu lhe dissesse que não queria que ela estivesse com outro homem, apesar de eu ter essa liberdade, eu sei que ela nunca estaria com ninguém, mas como percebi que ela tinha vontade de conhecer outro homem e só não o fazia porque me amava e não queria magoar-me, senti que apesar de não me agradar a ideia, devia não só dar-lhe essa liberdade como até incentivá-la.

É por amor que ela me deixa ter as minhas aventuras quando estou longe de casa, é por amor que ela nunca me exigiu a mesma liberdade, é por amor que eu lhe dei essa liberdade. O nosso amor, o sexo e a nossa cumplicidade está melhor que nunca apesar dos nossos 25 anos de casamento, e continuamos a adormecer de mãos dadas.”

Esta história é um exemplo prático de como é possível conciliar o amor entre duas pessoas com a liberdade de cada um, e onde a tolerância e a compreensão são fatores essenciais a um relacionamento harmonioso e feliz. Retrata bem o que eu escrevi na minha reflexão “R019 Da monogamia ao poliamor”.

Achei esta história de uma ternura imensa, e um exemplo fantástico do que o verdadeiro amor é capaz. Como diz Ivan Lins, “o amor tem feito coisas que até mesmo Deus duvida”.

12 comentários:

T* disse...

Também vi esse segredo e os vossos comentários por lá.
Acho que estes casais devem sentir uma paz enorme, por saberem que nunca vão perder o amor da vida deles.
Gostava de um dia ter um relacionamento assim.
Beijocas!

xarmus disse...

Olá T*

É isso mesmo. Um casal com um relacionamento assim, raramente se separa. Porque apesar de casados, têm a liberdade de estar com quem quiserem. Porque esta forma de se relacionarem só aumenta a cumplicidade e o amor. Porque não existe a principal razão da separação dos casais... a traição e a mentira. Porque mesmo que algum se apaixone por outras pessoas, nenhum deles está interessado em trocar uma pessoa que lhe dá liberdade por outra que a vai engaiolar.

Enfim, as vantagens são muitas, e a segurança que dá um relacionamento destes é fantástica. Não se vive em constante sobressalto, sempre à espera de um dia se ser traído ou se ser deixado. É de facto uma paz maravilhosa.

Beijocas

eu simplesmente disse...

Posso até estar enganada, mas esta história não me convence...

Como é que uma mulher se sente sabendo que o marido está neste momento a foder com outra???

E o ciume? O egoísmo do amor?

Sim, já sei qual é a resposta, é assim porque há amor.

Anónimo disse...

Caro Xarmus,

Gostei de ver aqui publicada a minha história. Ainda ando a ler o teu blog e estou a gostar cada vez mais.

Obrigado pela partilha.

JS

Portuguese Sun disse...

Na minha opinião, este tipo de relações, muito poucos casais conseguem atingir.
Têm de estar reunidas muitas circunstâncias excepcionais, têm de ser pessoas que se fundem uma na outra, o grau de "profundidade" e cumplicidade na relação é absolutamente verdadeiro e sensorial sem usar de palavras muitas vezes, são pessoas totalmente transparentes uma para a outra.
Para mim é muito surpreendente que se consiga atingir este patamar, deve ser extraordinário, isto é elevar o amor totalmente às alturas...
Tal como disse o Xarmus, anteriormente vivi relações com mentiras e por isso hoje tenho dificuldade em querer viver com outra pessoa, é o tal "viver em sobressalto" por sabermos que às escondidas homens casados procuram outras mulheres e para casa própria levam mentiras e doenças.
Quero acreditar que a vida me vai surpreender e que um dia também eu vou encontrar alguém assim, tão cúmplice e tão verdadeiro, com quem a vida a dois seja um lindo pôr-do-sol, ou uma lareira acesa a crepitar nas noites frias, com quem o sexo seja uma grande porta aberta de comunicação e não apenas umas quecas de misericórdia...

Patrícia disse...

É disto que falo quando falo de maturidade. Para um dito casal "normal" a ideia de traição, infidelidade passa pelo sexo. Mentir, enganar, não amar o outro, não entra na equação, é até expectável. Este casal, que não será perfeito, representa para mim o que deve acontecer. Ele errou, mas confessou, ela ficou magoada e perdoou. Amparam-se um ao outro com amor, companhia e sexo. E são felizes à sua maneira. Só gostaria de saber a experiência contada no feminino. Como ela viu e sentiu as coisas e, já agora, o fim da história. Bem hajam por me terem feito renascer a esperança de que existam seres humanos por aí.

xarmus disse...

Olá eu simplesmente

Esta história não é para convencer ninguém... é para os outros entenderem o que por amor se consegue fazer.

Uma mulher sente a mesma coisa que um homem sente sabendo que a mulher está a foder com outro.

O ciume é um sentimento ligado à insegurança e ao medo de perder o outro, e quando um casal se ama mais que tudo, não sente ciume ou sente um pouquinho de ciume que é largamente superado pelo prazer de fazer a pessoa amada muito feliz.

Não espero que alguém que nunca amou verdadeiramente, ou que não tenha um relacionamento com pelo menos 20 anos entenda ou consiga sentir o que escrevi na minha reflexão ou entenda a história de amor desta casal com 25 anos de casados... a ideia é partilhar esta realidade com quem quiser tomar conhecimento de formas mais intensas de amar.

Beijoca

xarmus disse...

Olá JS

Eu é que te agradeço a partilha desta história.

Numa sociedade onde a mentira e a traição são uma prática recorrente, e até aceite pela sociedade, de resolver o problema da monotonia do casamento, é uma lufada de ar fresco conhecer a história de um casal que soube resolver o problema de forma bem mais inteligente e com resultados tão positivos.

Desejo-vos as maiores felicidades.

Abraço

xarmus disse...

Olá Portuguese Sun

Claro que não é fácil... são precisos muitos anos de verdadeiro e intenso amor.

Passados 25 anos, as pessoas estão mesmo fundidas, funcionam como se fossem uma só. Por isso o prazer de um é o prazer do outro.

Desejo-te que encontres mesmo.

xarmus disse...

Olá Patrícia

É verdade. A maioria das pessoas acha estranho este tipo de relação, mas não pensa que a alternativa é a mentira e a traição, que dizem não gostar, mas que acabam por praticar, ou serem vitimas.

Faz-me imensa confusão que as pessoas não percebam que aquilo que a sociedade acha normal, e que a maioria das pessoas seguem, é completamente utópico.

Beijocas boas

Anónimo disse...

É realmente uma historia a se pensar, o amor dos dois apesar dos anos, continua forte, permanecendo o desejo, isso tudo porque eles confiam um no outro e como mesmo disse o "prazer de um é o prazer do outro", o que realmente importa para eles é a liberdade e felicidade do outro. Acho que esse tipo de relação esta a se tornar raro nos dias de hoje, somos criados com um tipo "certo' de conduta a ser seguida em um casamento ou relação e quem se desvia da mesma é julgada...Espero que um dia possa ter o privilégio de ser amada assim, vi muita entrega, carinho e admiração na fala de JS. E você Xarmus, já amou ou ama alguém assim? bjs...

xarmus disse...

Sim... claro. Por isso entendo tão bem este casal e achei esta história tão engraçada.

Beijoca